Messi marca e Argentina se classifica em jogo dramático contra a Nigéria

Henry Romero / Reuters
Sérgio Luz, da Agência O Globo


Assim como seu gênero musical tradicional, o tango, a seleção Argentina prezou pela dramaticidade exacerbada em sua classificação para a segunda fase da Copa do Mundo, em partida contra a Nigéria. Depois de abrir o placar com um golaço de Messi, ainda na primeira etapa, a seleção sul-americana levou o empate no início do segundo tempo, em pênalti infantil cometido por Mascherano. A salvação veio apenas no final, graças ao improvável pé direito do lateral esquerdo Rojo, que atuava como zagueiro e chegou na área para marcar um gol de centro-avante, selar o placar de 2 a 1 e classificar seu time para as oitavas de final, quando terá pela frente a França.

Mergulhada numa crise após a derrota por 3 a 0 para a Croácia, a Argentina chegou para o confronto envolta em boatos de que o time teria rompido com o técnico Jorge Sampaoli. Ao contrário do controverso 3-4-3 usado contra os croatas, a escalação da albiceleste voltou ao tradicional 4-4-2 para o encontro decisivo com a seleção africana.

A Nigéria, num 3-5-2, começou mais recuada, estava mais preocupada em não dar espaços. A equipe sul-americana tentava subir tocando e tabelando, mas parava na defesa nigeriana, que buscava segurar o empate para garantir sua classificação.

Aos 14 minutos, Lionel Messi finalmente desencantou. Após receber um lançamento perfeito de Banega, o craque do Barcelona dominou com a coxa, ajeitou para a perna direita e chutou cruzado para abrir o placar e marcar seu primeiro gol na Copa da Rússia.

Ao contrário da primeira partida, diante da Islândia, quando esteve desligado do jogo, Di María estava atento contra a Nigéria, partindo em arrancadas pelo lado esquerdo do campo. Do outro lado, Messi procurava tabelas, e a Argentina mantinha a posse de bola para não se expor e procurar espaços sem pressa.

Em arrancada rápida, Di María foi derrubado na entrada da área por Balogun, que levou cartão amarelo. Na cobrança, Messi bateu no lado do goleiro Uzoho e acertou a trave. Acuada e com a postura defensiva que adotou em suas primeiras partidas, a Nigéria não conseguia atacar.

No final do primeiro tempo, numa disputa na pequena área, o zagueiro Rojo acertou a perna involuntariamente na cabeça de Iheanacho, que caiu feio no chão. Por sorte, a queda não passou de um susto, e o atacante do Leicester seguiu jogando.

O começo do segundo tempo foi o pior possível para a Argentina. Aos três minutos, Balogun caiu na área em disputa de bola com Mascherano, e o juiz turco Cuneyt Cakir marcou um pênalti questionável. Moses desclocou Armani e empatou o jogo.

Nervosa, a Argentina demorou para reagir, começando por Sampaoli, que fez tirou um exausto Di María para a entrada de Meza aos 26 minutos, mesmo com Aguero e Dybala no banco de reservas. Mais cedo, Pavón substituíra Enzo Pérez, que não conseguiu entrar no jogo.

Num show de horrores, Rojo tentou bloquear um cruzamento, cabeceou mal, e a bola resvalou em seu braço. Após muita reclamação, Cakir foi consultar o árbitro de vídeo e não deu o pênalti. Na sequência, Higuaín recebeu na entrada da pequena área e isolou a oportunidade de fazer 2 a 1.
A salvação argentina veio a três minutos do fim. Em bela jogada pela direita, Mercado cruzou para o lateral canhoto improvisado como zagueiro Rojo surgir na posição de centro-avante, no centro da área, e, de direita, emendar de primeira para o fundo da rede. De um camarote no estádio, Maradona, que havia cochilado no primeiro tempo, celebrava como um autêntico hincha argentino.

Sem se omitir, Messi buscou a bola, segurou o jogo, tentou atacar e ate deu carrinho no campo adversário. No final, na garra, com um golaço de seu craque, com o sangue escorrendo da cara do líder Javier Mascherano, com o maior ídolo da história de sua seleção na arquibancada, a Argentina se classificou ao som da melodia do sofrimento dos tangos mais lúgubres. E o sonho do tricampeonato albiceleste segue vivo.

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