Menino de 12 anos alega ter sido vítima de maus-tratos durante ritual religioso

Foto: Reprodução


Redação: iBahia

Um menino de 12 anos alega ter sido mantido trancado por mais de uma semana à disposição de um suposto ritual religioso de um centro espírita localizado no Distrito Federal, em uma região próxima à Brasília. As denúncias foram feitas ao Conselho Tutelar pelo pai da criança e de acordo com ele quem o levou a este local foi a mãe. As informações são da TV Globo.

“Rasparam minha cabeça com navalha e botaram tipo uma bola de areia quente aqui no meio da cabeça. Doeu. Ardia quando eu pegava e ficou uma marca", disse o garoto em entrevista à TV Globo.

 “A gente tinha que tomar um banho gelado porque já tinha uma ordem assim, e toda pessoa que passa por lá tem que cumprir essa ordem”, relatou o garoto que também afirmou que ficou mais de 10 horas sem comer.

O pai da criança, que mora com a mãe, desconfiou que havia algo errado quando percebeu que ela não ia para a escola há mais de 15 dias.

“Ele sumiu e eu achei estranho. Eu e minha esposa fomos até a casa da mãe dele. Eu não falo com ela, mas minha esposa fala. Ela relatou que ele estava na roça, um centro espírita, e que ela não ia dar o endereço e que ele estava sofrendo problemas psicológicos”, contou o pai.

Ao chegar no local, o pai tomou um susto ao ver a situação do menino. “Meu filho estava em um quarto, em um barracão do centro espírita, com as vestimentas molhadas e mofadas, tossindo muito. Eu não reconheci meu filho", disse.

A criança afirmou ainda que, em seguida, ele teria que passar por um abuso sexual. “O cara falou que eu ia ter relações. Eu tinha que ter relações com um homem depois que eu saísse de lá. Minha mãe sabia. Por isso que eu não quero voltar para morar [com ela]", relatou.

Após a denúncia do pai, o Conselho Tutelar entregou um termo de responsabilidade para que o pai cuide do menino. “Tanto adultos como crianças vítimas de violência sexual ou violência mesmo, corte nas mãos, questão de redução de alimentos. A gente já tinha visto muito dessas denúncias, e então a gente aplicou essa medida de entregar para o pai para realmente prevenir, proteger esse menino porque vimos uma ameaça de abandono de incapaz.”

Apesar disso, a mãe acionou a Vara da Infância e, mesmo diante dos maus-tratos, a guarda do menino ficou com ela.

O garoto disse que já foi agredido pela mãe diversas vezes quando era criança e que há até chegou a prestar depoimento à polícia. “A agressora, por estar convicta de que o ofendido estava mentindo, e, visando corrigi-lo, o agrediu com um cinto, o qual, acidentalmente, lesionou sua cabeça, devido à fivela”, dizia a ocorrência do caso registrado.

“Ela falava que eu pegava dinheiro. Aí ela já me queimou com a chapinha na minha mão, botava para eu beber pimenta e ela já mordeu minha língua. Faz tempo, eu era criança", disse a criança.

A Tv procurou a mãe, mas ela não quis falar e o centro espírita não foi localizado. O caso está sendo investigado pela delegacia de Ceilândia (DF)

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