Jan Koum, cofundador e
presidente-executivo do WhatsApp, disse nesta quinta-feira (18) que a companhia
está "desapontada" com o bloqueio do aplicativo de mensagens no
Brasil –a ordem, classificada pelo executivo como "míope", foi da 1ª
Vara Criminal de São Bernardo do Campo e vale por 48 horas.
"Nós
estamos desapontados com a decisão míope de bloquear o acesso ao WhatsApp, uma
ferramenta de comunicação da qual tantos brasileiros vieram a depender, e
tristes de ver o Brasil se isolar do mundo", afirmou Koum em um post no
Facebook.
Após
receberem ordem da Justiça, operadoras de telefonia fixa e móvel começaram,
após as 23h30 desta quarta, a bloquear o serviço de mensagens instantâneas
WhatsApp. Às 23h30, mensagens transmitidas por 3G ou 4G começaram a travar. Usuários
que navegavam por wi-fi, porém, continuaram usando o serviço nos primeiros
minutos desta quinta.
Por volta
das 0h23, mesmo pela conexão w-fi não era possível usar a ferramenta.
Sem uma
decisão judicial a um recurso, a operadora que não cumprisse o bloqueio
correria o risco de multa, e os representantes da operadora podem ser presos.
POR QUE
PAROU?
A Folha
apurou que a Justiça em São Bernardo do Campo quer que o WhatsApp fique fora do
ar no país devido a uma investigação criminal.
As
autoridades que investigam o caso obtiveram autorização judicial para que o
WhatsApp quebrasse o sigilo de dados trocados pelos investigados via
aplicativo, mas a empresa não liberou as informações solicitadas. O bloqueio
seria uma represália.
Em
fevereiro, um caso parecido ocorreu no Piauí, quando um juiz também determinou
o bloqueio do WhatsApp no Brasil. O objetivo era forçar a empresa dona do
aplicativo a colaborar com investigações da polícia do Estado relacionadas a
casos de pedofilia.
A decisão
foi suspensa por um desembargador do Tribunal de Justiça do Piauí após analisar
mandado de segurança impetrado pelas teles.
Outro caso
famoso foi o do boqueio do YouTube, em 2007, a pedido da modelo Daniela
Cicarelli.
Decisão
judicial proibiu a exibição de um vídeo em que a modelo e o namorado, Renato
Malzoni Filho, apareciam trocando carícias em uma praia espanhola em setembro
de 2006. Como não era tecnicamente possível impedir o acesso a apenas uma
página, todo o site ficou fora do ar.
PIRATARIA
As teles já
vinham reclamando ao governo que é preciso regulamentar o serviço do
aplicativo, que faz chamadas de voz via internet. Para elas, esse é um serviço
de telecomunicações e o WhatsApp, e demais aplicativos do gênero, não poderiam
prestar porque não são operadores.
Recentemente,
o presidente da Vivo, Amos Genish, disse em um evento que o aplicativo prestava
um serviço "pirata" e defendeu regulamentação.
"Não
tenho nada contra o WhatsApp, que é uma ferramenta muito boa, mas precisamos
criar regras iguais para o mesmo jogo", disse.
"O fato
de existir uma operadora sem licença no Brasil é um problema", afirmou
Genish, em referência ao serviço de voz do aplicativo.
Para o
executivo, o WhatsApp estaria funcionando, na prática, como uma operadora de
telefonia.
Folha de SP
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