![]() |
| (Foto: Getty Images) |
Dentro dos programa do atletismo, o arremesso do peso não figura como uma das provas que mais exige fôlego dos competidores. Mas para a nova campeã paralímpica da classe F37, somente o fato de poder respirar dentro do estádio pode ser considerado uma vitória e tanto. Diagnosticada com uma doença autoimune em 2009, a alemã Franziska Liebhardt, de 34 anos, divide o mérito de sua conquista com alguém que nem ao menos conheceu ou sabe o nome. Quando seus pulmões começaram a falhar, um doador de órgãos a salvou. Pelas leis, a família da pessoa que morreu se mantém anônima após o transplante, mas a alemã envia anualmente cartas que lsão repassadas. Após o triunfo no Rio, planeja um agradecimento ainda mais especial.
Sem esses pulmões, eu não estaria aqui. Não estaria viva e não teria a medalha de ouro. Vou mandar uma outra carta agradecendo de novo a eles por isso. Escrevo cartas todos os anos desde o transplante. Mas não os conheço, mando para a companhia que cuida das doações de órgãos, e eles repassam - contou, emocionada.
![]() |
| (Foto: REUTERS/Ricardo Moraes ) |
A doença de Franziska afetou de forma severa seu sistema imunológico e atingiu alguns de seus órgãos vitais. Há quatro anos, seu pai doou um rim. Antes, em 2009, dois pulmões vieram do corpo de um doador desconhecido, recém falecido, graças à autorização da família. A atleta, que também tem o corpo parcialmente paralisado por um AVC, se tornou uma embaixadora da causa.
- Meu sistema imunológico não funciona e meus pulmões foram danificados, perderam função. Quatro anos depois, o rim também. Foi um período difícil. E tive ainda um AVC, perdendo meus movimentos do lado direito. Mas agora estou aqui e tudo está ótimo - disse a campeã paralímpica.
Assim como no Brasil, o processo para se receber um órgão não é tão simples na Alemanha. Franziska Liebhardt explica que as filas costumam demorar anos e, até mesmo para receber de seu pai, enfrentou burocracia. No entanto, a disfunção de seu pulmão era considerada muito grave, uma vez que ela ficou por três meses respirando apenas com a ajuda de aparelhos. A atleta também acredita que tenha contado com a sorte.
- Pelo rim, esperei meio ano porque existe um processo grande para pegar um rim de um doador vivo. Para os pulmões, eu esperei três meses. Não é muito tempo, tive sorte. Na Alemanha, existe um sistema que, quando você precisa muito rápido, pode subir na lista. Eu precisava muito, estava respirando por máquina. Não conseguia respirar sozinha. Foram tempos difíceis - lembra.
![]() |
| (Foto: Getty Images / AFP) |
No esporte paralímpico há pouco tempo, Franziska decidiu que essa seria sua primeira e última participação nos Jogos. Só o fato de ter chegado ao Rio já seria uma vitória, mas o ouro deixou a jornada ainda mais especial. Desde 2009, ela vem tentando divulgar ao máximo em seu país a importância de incentivar a doação de órgãos. Quer que sua medalha paralímpica aumente ainda mais a sua voz nesse sentido.
- Espero que, com minha história, possa ser um exemplo. Que as pessoas possam ver que a doação de órgãos funciona.
No Rio, ela venceu a prova do arremesso de peso com sobras. Sua marca de 13,96m também lhe rendeu um novo recorde mundial. A prata ficou com chinesa Na Mi (13,73m), e o bronze com a tcheca Eva Berna (11,23m). A brasileira Shirlene Coelho foi a quarta colocada, com 10,91m, e fez questão de enaltecer a conquista da alemã.
No Rio, ela venceu a prova do arremesso de peso com sobras. Sua marca de 13,96m também lhe rendeu um novo recorde mundial. A prata ficou com chinesa Na Mi (13,73m), e o bronze com a tcheca Eva Berna (11,23m). A brasileira Shirlene Coelho foi a quarta colocada, com 10,91m, e fez questão de enaltecer a conquista da alemã.
- Nossa... Essa mulher é uma guerreira. No meu caso, será que eu ia conseguir? É o que eu penso, vai do organismo da pessoa... Isso valoriza muito a conquista dela, uma mulher transplantada se torna mais do que uma guerreira. deve ter passado por uma coisa muito ruim para ter que fazer esse transplante e hoje está aqui campeã do mundo no arremesso de peso. É inspirador - disse Shirlene.
Franziska precisará de fôlego extra nas próximas horas. Menos de 24h após sua conquista no arremesso de peso, ela retorna ao Engenhão, na manhã desta quarta-feira, para a disputa da prova do salto em distância.
Franziska precisará de fôlego extra nas próximas horas. Menos de 24h após sua conquista no arremesso de peso, ela retorna ao Engenhão, na manhã desta quarta-feira, para a disputa da prova do salto em distância.
Por Amanda Kestelman e Helena Rebello Globo Esporte
Tópicos:
ESPORTE


