Caso da Mulher Ketchup, registrado em Pindobaçu, vira inspiração de peça de teatro

Foto reprodução
A reinvenção de um crime que agitou o interior da Bahia como arte instigante, rende muito mais do que a peça “Vermelho Melodrama” de Gildon Oliveira que estréia na sexta, dia 12, no “Teatro do Goethe-Institut Salvador”. O início da temporada já foi noticiado pela coluna, mas a novidade é que Para celebrar o inicio da temporada, a primeira sessão é seguida de um pocket show, em voz e violão, com Leo Fressato, o músico e cantor curitibano que assina as canções originais do espetáculo.

O tema da peça é uma releitura do “Crime do Ketchup”, a simulação de um assassinato num caso de traição, que correu em Pindobaçu, no interior da Bahia. Contratado para matar uma jovem, o homem produziu fotos com suco de tomate e recebeu o dinheiro prometido por uma mulher traída. A história vulgar caiu com uma luva para o teatro de vanguarda adaptar ao gênero melodrama que agita o cenário artístico internacional desde a renascença européia.

Foto: Patricia Almeida

O texto original e inédito, “Vermelho rubro amoroso… profundo, insistente e definitivo!” é como uma ode ao melodrama por detalhar meticulosamente a sua arquitetura. Gênero dramático surgido no teatro francês no final do século XVIII que se caracteriza principalmente pelo acesso direto à sentimentalidade do espectador, o melodrama, desde seu nascedouro, teve grande apelo popular ao mesclar dramaturgia, música, pantomima, narrativas corporais, vaudeville e comédia ligeira. Largamente expandido na cultura brasileira, costuma ser associado a um entretenimento superficial. Aqui, a abordagem de suas estruturas e técnicas serve para entendê-lo e evidenciá-lo como fenômeno atual, que nos atravessa na rotina.

A encenação de “Vermelho Melodrama” coloca a dramaturgia do baiano Gildon em diálogo com uma série de outros autores, como Clarice Lispector, Angela Davis, Linn da Quebrada e Georges Didi-Huberman, levantando assuntos como a emoção na contemporaneidade e o direito ao afeto. O espetáculo ainda traça paralelos com os atuais acontecimentos políticos do Brasil, que mais parecem ficção melodramática com seus personagens arquetípicos, grandes revelações, reviravoltas. Amor e ódio em polaridade.

A história central, inspirada no famoso “crime do ketchup”, ocorrido no interior da Bahia em 2011, gira em torno dos órfãos Lúcio Mauro, Carlos Manuel e Lurdes Maria, que foram criados como irmãos. Segredos inconfessos, triângulos amorosos e paixões inflamadas têm como motor dramatúrgico uma carta que não foi entregue ao seu destinatário, guardando uma revelação que pode mudar o destino de todos. Numa dinâmica entre real e simulacro, as emoções são amplificadas e colocam sentimentos à frente de um pensamento exclusivamente racionalista.

A trilha sonora e direção musical são do compositor baiano Luciano Salvador Bahia, vencedor do Prêmio Braskem de Teatro 2018 na Categoria Especial, pelo conjunto das direções musicais realizadas. Quem assina as canções é o músico e cantor curitibano Leo Fressato, autor da música “Oração”, tocada pel’A Banda Mais Bonita da Cidade, com mais de 38 milhões de visualizações no YouTube e 28 milhões de execuções no Spotify.

“Vermelho Melodrama” é uma montagem que resulta de projeto contemplado pelo Edital Setorial de Teatro, tendo apoio financeiro do Governo do Estado, através do Fundo de Cultura, Secretaria da Fazenda, Fundação Cultural do Estado da Bahia e Secretaria de Cultura da Bahia.

Sinopse – Um melodrama sobre uma carta que não foi entregue. A história de três órfãos que foram criados como irmãos e cujas vidas foram atravessadas por amores inconfessos, segredos do passado e grandes reviravoltas. Em meio a tempestades de emoções, algumas perguntas vêm à tona: você acredita no destino? Onde reside a potência de uma carta nesta era digital? Como ativar emoções revolucionárias? Até quando vai o melodrama da vida política de nosso país? “Vermelho Melodrama”. Como cor de esmalte. Como transbordamento.

Fundo de Cultura do Estado da Bahia (FCBA) – Criado em 2005 para incentivar e estimular as produções artístico-culturais baianas, o Fundo de Cultura é gerido pelas Secretarias da Cultura e da Fazenda. O mecanismo custeia, total ou parcialmente, projetos estritamente culturais de iniciativa de pessoas físicas ou jurídicas de direito público ou privado. Os projetos financiados pelo Fundo de Cultura são, preferencialmente, aqueles que apesar da importância do seu significado, sejam de baixo apelo mercadológico, o que dificulta a obtenção de patrocínio junto à iniciativa privada. O FCBA está estruturado em 4 (quatro) linhas de apoio, modelo de referência para outros estados da federação: Ações Continuadas de Instituições Culturais sem fins lucrativos; Eventos Culturais Calendarizados; Mobilidade Cultural e Editais Setoriais. Para mais informações, acesse: www.cultura.ba.gov.br.

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