Com mãos e pés algemados, mulher mais perigosa da Bahia desembarca em Salvador


A mulher que é apontada como a maior traficante da Bahia foi transferida para o estado na tarde desta sexta-feira (27), dois dias após ser presa em São Paulo, onde se escondia há algum tempo com as duas filhas, que têm 10 e 4 anos.

Conhecida como “Dona Maria”, Jasiane Teixeira, de 31 anos, foi transportada para Salvador em um avião do Grupamento Aéreo da Polícia Militar, sob forte esquema de segurança. A suspeita usava algemas nas mãos e nos pés, além de um óculos vedado, para não saber para onde estava sendo levada.

De acordo com a Secretaria da Segurança Pública da Bahia (SSP-BA), Jasiane prestará depoimento para agentes do Departamento de Repressão e Combate ao Crime Organizado (Draco) e, em seguida, será levada para o sistema prisional.

Jasiane foi presa na cidade paulista de Biritiba Mirim na quarta-feira (25), seis dias após completar 31 anos. Além de tráfico, a mulher é suspeita de porte de armas e centenas de homicídios na Bahia, incluindo participação na morte de um agente penitenciário – crime do qual foi condenada recentemente.

Em contato com o G1 na quinta-feira (26), o advogado da suspeita, Walmiral Marinho, afirmou que Jasiane é inocente e que ela ainda não tinha se entregado para a polícia porque temia pela vida dela e das duas filhas.

O advogado diz que a cliente está sendo responsabilizada pelo histórico criminal do ex-companheiro, que morreu em 2014. O homem, identificado como Bruno de Jesus Camilo, é apontado como ex-líder de uma quadrilha na Bahia e, segundo a polícia, teria passado a função para Jasiane.

“Jasiane não pode ser responsabilizada pelos atos do ex-marido. Ela é inocente. O problema foi o amor bandido. Ela não pode ser apedrejada”, afirma o Walmiral Marinho.

Ainda segundo o advogado de Jasiane, também é falsa a informação divulgada pela polícia de que a cliente é enteada de um dos traficantes mais antigos da região sudoeste da Bahia, o Antonilton de Jesus Martines, conhecido como Nenzão.
Walmiral Marinho conta que, na verdade, o padrasto de Jasiane é um desembargador aposentado, que já está morto.

De acordo com o advogado, Jasiane morava em São Paulo com as filhas e o atual companheiro há algum tempo, para se esconder da perseguição contra ela, contudo, não soube precisar há quanto tempo.

Jasiane estava com o atual companheiro no momento em que foi presa. Segundo a SSP-BA, a suspeita chegava em um restaurante para almoçar com o homem, que também é apontado pela polícia como traficante, quando foi abordada pela polícia.
Os policiais que participaram da ação chegaram a revistar a casa onde a família morava, mas nada foi encontrado e o companheiro de Jasiane foi liberado após depoimento. Ela permaneceu detida porque tinha mais de um mandado de prisão em aberto.
Depois que Jasiane foi presa, segundo o advogado Walmiral Marinho, as filhas dela, que estavam na escola no momento da ação, ficaram com o atual companheiro da mãe. Porém, nos próximos dias, as meninas irão para a casa de uma irmã de Jasiane, que mora no Rio de Janeiro.
As garotas são fruto do primeiro casamento de Jasiane e, de acordo com o advogado, têm problemas psicológicos por conta das acusações contra os pais.

Carta

Ainda segundo o advogado Walmiral Marinho, o julgamento sobre a morte do agente penitenciário ocorreu no dia 6 de agosto, na Bahia, quando Jasiane ainda estava escondida em São Paulo. Como a mulher não pôde comparecer ao júri, mandou uma carta para ser lida durante a audiência.

No documento, passado ao G1 com exclusividade pelo advogado, Jasiane alega inocência, fala que tem medo de morrer e diz que não pode ser responsabilizada pelas atitudes do ex-companheiro, que, segundo a suspeita, era o amor dela.
Confira trechos:

“Temo pela vida e pela vidas das minhas pequeninas, das minhas estrelinhas, porque elas são a razão do meu viver, e, por essa importante razão, não estou presente neste dia de tantas importância em nossas vidas”.

“Tudo o que eu mais quero é provar minha inocência, é provar que não sabia que aqueles homens que nunca vi na vida, antes ou depois do crime, teriam ou iriam tirar a vida de uma pessoa”.

G1/BA

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