Com praias cheias até altas horas da noite e o aumento das temperaturas em todo o país, os casos de afogamento voltaram a crescer e acendem um alerta entre autoridades e equipes de salvamento. Somente nos 11 primeiros dias de 2026, o litoral paulista registrou 19 mortes, uma média próxima de dois óbitos por dia, segundo dados oficiais.
O cenário, no entanto, não se restringe a São Paulo. Estados de todas as regiões enfrentam crescimento nos atendimentos e registros de mortes, impulsionados pelo calor intenso, mudanças de comportamento no pós-pandemia e práticas de risco, como o banho de mar durante a noite.
Bahia preocupa pelos altos números
Na Bahia, os dados também chamam atenção. Segundo levantamento da Sociedade Brasileira de Salvamento Aquático (Sobrasa), o estado registrou 513 mortes por afogamento em 2023, a maioria ocorrida fora do ambiente marítimo, como rios, represas, lagoas e açudes.
Em Salvador, informações do Corpo de Bombeiros Militar da Bahia (CBMB) apontam crescimento nos resgates. Entre janeiro e setembro de 2025, foram 111 salvamentos por afogamento, contra 106 no mesmo período de 2024. Já nos primeiros dias de 2026, a capital baiana contabilizou quase 80 ocorrências de resgates nas praias, reflexo direto do aumento do fluxo de banhistas e das altas temperaturas.
Tendência de alta após duas décadas de queda
No Brasil, as estatísticas mostram uma mudança preocupante. Entre 2000 e 2022, o país havia registrado uma redução de cerca de 50% nos afogamentos. Em 2023, porém, houve a primeira alta em mais de 20 anos, com 5.237 mortes, o que equivale a uma morte a cada 100 minutos, segundo a Sobrasa.
O Brasil ocupa hoje o quinto maior índice de afogamentos da América do Sul, com 2,3 mortes por 100 mil habitantes, ficando atrás apenas de Bolívia, Equador, Suriname e Guiana.
Comportamento de risco e redes sociais
Para o secretário-geral da Sobrasa, David Szpilman, o aumento está diretamente ligado ao fim do isolamento social, à busca por experiências mais intensas e ao impacto das redes sociais.
“O risco é subestimado e a capacidade pessoal é superestimada. Muitas pessoas se arriscam para registrar fotos e vídeos”, alerta.
Banho noturno aumenta risco de morte
Especialistas reforçam que o mergulho noturno em mar aberto é um dos principais fatores de risco, já que não há visibilidade nem atuação de guarda-vidas. Segundo Szpilman, apenas 30% dos locais públicos de banho no país contam com socorristas, e a chance de afogamento é 60 vezes maior em áreas sem monitoramento.
Crianças também estão entre as vítimas
O problema afeta todas as faixas etárias. O afogamento é a segunda principal causa de morte entre crianças de 1 a 4 anos, a quarta entre 5 e 9 anos e a terceira entre 10 e 14 anos. Em média, quatro crianças morrem afogadas por dia no Brasil, muitas vezes dentro de casa, em piscinas ou reservatórios de água.
Alerta permanente
Especialistas reforçam a importância de evitar o consumo de álcool antes do banho, respeitar a sinalização das praias e nunca entrar na água à noite. “O afogamento é rápido e silencioso. Em três ou quatro minutos, pode ser fatal”, alerta Szpilman.
Redação FR /com informações G1
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